Eis a diferença: Villas-Boas realizou todo o trabalho de casa, Jorge Jesus não
Esta noite assistimos a um Porto bem diferente em relação à época passada, diferente para melhor como é óbvio, sem grandes hesitações na hora do último passe com um futebol aventureiro, pressionando alto e sempre muito organizado tacticamente. Cada jogador sabia muito bem qual o papel a assumir e de que forma deveria executá-lo em prol da equipa! Dando o exemplo de Falcão, posso afirmar que era nítida a forma como este tentava anular David Luiz, cortando-lhe sempre o espaço para receber a bola. Villas-Boas sabe muito bem da importância deste central brasileiro no processo ofensivo encarnado, é ele que queima a primeira linha defensiva do adversário, criando assim mais espaços para os homens mais adiantados desequilibrarem!
Falando agora de Jorge Jesus, este treinador hoje desiludiu-me um pouco na forma como efectuou a leitura do jogo, colocou César Peixoto a defesa-esquerdo, avançando Coentrão nesse flanco, mas até que ponto será viável colocar o melhor lateral-esquerdo português numa posição que não é a sua e colocar um jogador BANAL nessa mesma posição? Não foi, de maneira alguma, rentável nem eficaz, Hulk e Varela não sentiram grandes dificuldades na hora de explodirem nesse flanco. Já lá vai o tempo em que Fábio Coentrão fazia várias posições dentro do terreno, penso eu que esse tempo já deveria ter terminado, uma vez que, finalmente, o caxineiro especializou-se, com sucesso, numa posição! Oscar Cardozo, que fez hoje um dos piores jogos da sua carreira, e Pablo Aimar passaram, definitivamente, ao lado do jogo e a turma de Jesus acusou muito isso, algo perfeitamente legítimo, dado que estamos a falar de dois jogadores de qualidade e com grande influência na equipa das águias!
Admitindo que o Porto foi mais forte no jogo desta noite, não posso também deixar de referir que a sorte do jogo esteve, completamente, do lado dos dragões. Entraram quase de imediato a vencer por uma bola a zero num golo em que foi bem evidente a fragilidade do Benfica nos lances de bola parada, aquela defesa à zona deveria estar bem mais organizada e concentrada. Depois, quando os encarnados tentavam fazer o golo do empate e até estavam lançados, Varela explodiu pelo flanco esquerdo, beneficiou da lesão de Luisão para cruzar à vontade e aí tudo se torna muito simples para um jogador com a qualidade de Falcão! Vendo bem, penso que o triunfo dos dragões por 2-0 nem foi o mais importante, visto que depois desta Supertaça nada volta a ser igual: o treinador portista está bem lançado e já conta com o apoio de toda a massa associativa! Para terminar, não posso também deixar de dizer que o campeão nacional e o seu treinador não podem passar já de bestiais a bestas, fizeram uma grande época no ano passado e nada disso deverá ser esquecido, isto foi apenas o primeiro jogo da nova temporada onde, sinceramente, ganhou quem se preparou melhor!
O médio português Ruben Micael é a principal “baixa” no FC Porto para o jogo da Supertaça com o Benfica, encontro que vai decorrer este sábado no Estádio Municipal de Aveiro.
O jogador luso voltou esta sexta-feira a fazer treino condicionado devido a mialgia na coxa direita e não constitui opção para André Villas Boas no primeiro jogo oficial da época, tal como o argentino Mariano Gonzalez.
Jorge Fucile não foi chamado, ao contrário de Raul Meireles que aparece na lista de convocados. De fora ficaram ainda Walter, Castro, Guarín, James Rodriguez, Kieszek, Emídio Rafael e Tomás Costa.
Eis a lista de convocados:
Guarda-redes: Helton e Beto.
Defesas: Maicon, Rolando, Sereno, Álvaro Pereira, Sapunaru e Miguel Lopes.
Médios: Raul Meireles, Fernando, Moutinho, Souza, Ukra, Belluschi, Rodríguez e Varela.
Avançados: Falcão e Hulk.
O avançado brasileiro Alan Kardec lesionou-se no treino desta sexta-feira e é “baixa” de última hora para o jogo da Supertaça diante do FC Porto. Por outro lado, Jorge Jesus afirmou na antevisão ao jogo com os “dragões” que o argentino “Nico” Gaitán vai começar a partida a titular. Com excepção de Kardec, Jesus tem o plantel todo à sua disposição.
O ambiente está quente mas mais calmo do que em anos e meses anteriores, pelo que o jogo da supertaça pode efectivamente, e finalmente, uma materialização da festa do futebol.
A pré-época terminou, mas o mercado ainda não, e esse é um factor importante quando partimos para uma antevisão de um jogo desta envergadura. O SLB x FCP não é apenas mais uma supertaça. É uma defesa do orgulho entre os dois emblemas. Nenhum gosta de perder, mas principalmente com o adversário em questão isso é proibitivo pois, para além da satisfação ou frustração, é uma arma de arremesso fortíssima a ser usada entre colegas de trabalho ou amigos nos dias seguintes.
Por isso, não são de fiar as declarações que vamos ouvindo de parte a parte, desvalorizando o resultado no contexto de sucesso da época que agora começa. Jesus tem em mãos a responsabilidade de acalmar os adeptos num momento de maior apreensão perante a saída de dois elementos muito desequilibradores sem um reforço verdadeiramente confirmado, e um anúncio de renascimento do dragão. Uma derrota pode fazer renascer o fantasma do regresso dos azuis e brancos ao poder. Teoricamente, Villas Boas tem mais espaço para falhar. Está a fazer uma nova equipa, com uma nova forma de trabalhar, e por isso com a folga inicial que os adeptos compreendem.
Então, é muito compreensível que se afigure um Benfica muito concentrado, à imagem do que o treinador já conseguiu incutir nos jogadores há muitos meses. Provavelmente, mais dominador no jogo. Mas isto, se o Porto deixar. Será de prever que Villas Boas tenha uma estratégia montada com base no aproveitamento que tem do maior conhecimento do adversário do que o inverso. Por isso, não estranhem os adeptos se virmos um Benfica a começar o encontro mais incisivamente. Será normal.
Não será, contudo, determinante de um favoritismo do campeão. Aliás, se o Benfica não conseguir transformar um maior caudal de jogo em oportunidades de golo, o factor surpresa de uma equipa azul e branca renascida trará com certeza alguns arrepios aos encarnados.
Lancemos, agora, um olhar aos maiores detalhes, sob o prisma dos processos defensivos de ambas as equipas perante os adversários, já que considero a melhor forma de antever um jogo, ao invés de apenas o perspectivar a partir de uma equipa, como se a outra não tivesse vida própria (o que os "paineleiros" fazem todas as semanas na TV).
Benfica.
Na linha defensiva, David Luiz e Luisão não estão propriamente talhados para defender a tempo inteiro pelo que o Benfica tem mesmo que manter o jogo o maior número de minutos possível no meio campo adversário. Aliás, as falhas defensivas ilustram isso mesmo. É um processo natural de uma equipa que, por natureza, parece só saber e querer atacar. Maxi e Coentrão serão seguramente os laterais, mas terão bem que saber dosear as subidas. Sem Di Maria e Ramires a suportar o ataque pelas alas, é expectável uma maior tentação por parte destes. Algo que Villas Boas estará à espera pelo que não será surpresa se assistirmos a Hulk e Cristian nas alas, em constantes rendições de flanco para tentar desinibir as investidas adversárias e aproveitar descompensações. Falcao deverá ser estrategicamente posicionado de uma forma "estanque" entre os centrais para que estes também apelem à menor subida dos laterais.
O aspecto mais "plantado" de Falcao servirá para isso mesmo, usando Villas Boas o argentino Belluschi para, acompanhado de Moutinho, efectivamente conduzir o jogo até bem perto da área, flanqueados pelos alas. Nesta perspectiva, Jesus também não deverá arriscar num meio campo demasiado ofensivo. Entre Javi ou Airton, não será descabido usar o brasileiro por ser mais rápido a acompanhar os volantes do Porto. Mas, provavelmente, até poderá usar Javi atrás, com Airton a fazer a cobertura mais à frente. Permitirá os laterais subirem, obrigando o Porto a jogar pelas alas, mas com maiores dificuldades na penetração ou recurso ao jogo aéreo.
FC Porto
Apenas subindo Coentrão, será mais fácil ao Porto controlar, mas bem mais dificil criar jogo. Do outro lado, Álvaro Pereira é um problema para Jesus. Sem ala direito para inibir o uruguaio, este poderá subir muitas vezes, até demais para desequilibrar. Mas esta pode ser agora a maior frustração para os dragões. Não sendo Rolando e Maicón dupla suficiente para Saviola e um Cardozo em topo de forma, e Fernando uma "lapa" sobre Aimar, Villas Boas não deverá fazer Álvaro subir demasiado e, por ventura, até se concentrará em reforçar o eixo da defesa nas sobras. Ainda mais porque Carlos Martins, não defendendo, tentará ocupar os espaços junto a Aimar para criar jogo.
Em suma, e colocando-me eu na cabeça de cada um dos treinadores, começava o jogo desta forma, e com estas linhas básicas exigidas ao sistema da equipa:
Villas Boas: - Helton, Miguel Lopes, Maicon, Rolando, Álvaro Pereira, Fernando, Moutinho, Belluschi, Cristian, Hulk e Falcao. Impedir os laterais do Benfica de subir não fazendo descer os extremos muito mais do que a linha de meio campo. Dividir o jogo entre os defesas e Fernando sempre atrás, e Belluschi e Moutinho a cobrirem as saídas de Carlos Martins e laterais, dando-lhes depois liberdade e responsabilidade de construir o jogo. Falcao colado aos centrais para dar espaço aos extremos. Rematar de longe, logo que haja oportunidade.
Agora, cada um que faça o que entender pois eles é que são pagos e responsabilizados por isso. Seguramente, este é um jogo de 50/50.