Gilberto Madaíl não tem como evitar a abertura de um processo disciplinar a Carlos Queiroz tal a gravidade do comportamento do seleccionador para com dois médicos da autoridade antidopagem, durante o estágio da selecção, na Covilhã. E em última instância, a comprovar-se que a conduta do seleccionador lesou a imagem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), poderá mesmo haver suporte para uma acção de despedimento por justa causa.
A gravidade do assunto, denunciado na edição de ontem do DN, foi assumido à "mesma voz" pelo Governo e pela própria FPF. "Os factos que foram apurados no inquérito obrigam a que a Federação sobre eles pondere. Se não fossem factos graves não tinha havido um inquérito ou teria sido arquivado", disse Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto. Já a Federação, em comunicado, classificou o inquérito a Queiroz como "matéria extremamente delicada", a qual a FPF vai analisar em profundidade".
decisão da abertura do inquérito vai ser tomada na reunião da direcção da FPF, que em princípio será marcada na próxima semana. O assunto vai ser depois entregue ao Conselho de Disciplina (CD) da FPF, que poderá nomear um instrutor para averiguar o sucedido.
Entre os factos relatados no inquérito, conduzido pelo Instituto do Desporto de Portugal, constam insultos graves dirigidos quer aos médicos que visitaram a selecção quer ao presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), Luís Horta. Aliás, segundo soube o DN, o comportamento de Queiroz, que considerou inoportuna a visita dos "vampiros" foi mesmo encarado pelo IDP como uma violação das regras antidopagem. Uma conduta, à luz da legislação, punida com uma sanção que pode ir de dois a quatro anos de suspensão.
Esta situação ocorrida no estágio, fragilizou mais ainda a situação de Carlos Queiroz no cargo de seleccionador nacional. O DN sabe que o inquérito do IDP, que actualmente está nas mãos de Gilberto Madaíl, provocou mau ambiente na estrutura federativa. O desempenho da selecção no Mundial já tinha deixado o técnico numa posição enfraquecida, apesar de na última reunião da direcção ter saído a mensagem de apoio ao seleccionador. Contudo, este caso é encarado por alguns dirigentes como demasiado grave para passar impune.
Texto: DN
Modalidades: revista da semana
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